Por Fernando Correia - @FerCorreia
Do alto de uma sacada de um prédio majestoso, um conhecido editor literário exclama para a população apreensiva: O livro morreu! Se você acha que esta cena está próxima de acontecer, meus pêsames, mas você está enganado. Considerando a constante evolução da tecnologia vemos gadgets entrar e sair do mercado diariamente, e com a invenção dos eReaders, teme-se que o livro impresso seja mais uma tecnologia a nos dar adeus.
O medo se justifica pela facilidade com que os livros eletrônicos (ebooks) se popularizam, e também pelo fato de que Steve Jobs quis dizer com seu IPad: Ler assim é melhor e mais cool.
Agora analisemos os fatos: O livro é um suporte de sucesso em todo o mundo. Há mais de 5.250 anos os homens escrevem usando diferentes materiais, desde placas calcárias, passando por placas de argila e papiro, até o papel; carregam e depositam estas obras em bibliotecas.
De todas as formas de registro do conhecimento, uma se fez mais prática, o códice (que é a versão beta do livro que temos hoje). Antes dele usavam-se rolos, de pergaminho ou papiro, que eram uma dificuldade para se organizar e armazenar, além de cuidados com a conservação destes documentos e antes do papiro tábuas de madeira, argila ou filetes de bambu. Mas não pense que as migrações de suportes agradavam os leitores e usuários de bibliotecas, (Øystein & Meg, da emissora norueguesa NRK mostra bem os problemas dessa transição), pelo contrário, foram longas e quase intermináveis a discussão dos que defendiam o rolo ao invés do códice.
Quando Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg finalmente inventou a tipografia móvel, fez com que os livros pudessem ser impressos de forma rápida e fácil, começou então a revolução definitiva do livro em formato de códice, que gerou a explosão da disseminação da informação.
Agora analise a situação atual: temos um formato de livro amplamente utilizado, barato, de fácil manipulação, que carece de pilhas ou recarga, que pode ser emprestado, copiado, derrubado, molhado (até certo ponto) e dobrado e ainda assim continuar funcional. E temos os ebooks para eReaders.
Os livros eletrônicos são baratos, mas os dispositivos são caros, necessitam recarga elétrica, não podem ser emprestados, copiados ou impressos, se molhados muitas vezes tornam-se irrecuperáveis e levam toda a sua biblioteca para o limbo. Apenas o tempo poderá dizer se os ebooks tomarão conta do mercado editorial, pois necessitam de algumas mudanças:
Primeiramente o barateamento do gadget, já que um IPad nos EUA custa de US$ 499 a US$ 699, e um Kindle US$ 139; depois teremos que pensar o como será utilizado o ebook. Alguns sistemas de empréstimo estão em estudo, mas tirar um livro do eReader faz com que se abram brechas para a pirataria, sendo assim, complica tudo de novo.
Agora vejamos a coisa pelo lado evolucional; quando a televisão surgiu disseram que o cinema, o rádio e o jornal impresso morreriam, não aconteceu. Disseram no lançamento do VHS que o cinema morreria. Se você prefere uma qualidade ruim em casa à uma ótima qualidade em uma salinha escura, morreu pra você. Quando o DVD surgiu disseram: o VHS está com seus dias contados. Tudo bem, acertaram essa. E quando a Internet surgiu disseram que todas as mídias citadas aqui morreriam, posso dizer com segurança que isto está longe de acontecer.
O que ocorre em muitos casos da evolução das mídias e suportes, é que a convivência do dito obsoleto com a novidade se dá muito bem, temos DVDs e YouTube, telefones fixos e celulares, IPads e Revista Veja, têm inclusive Revista Veja no IPad. Mas se você ainda acredita que tecnologias antigas suplantam as novas, incluindo meios de comunicação, vá a um estádio e conte quantos torcedores levam seus obsoletos radinhos de pilha e quantos estão com seus MP7 (8,9,10...35 não sei a versão mais nova) sintonizados em uma estação de rádio.

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